Doença de Parkinson

Uma doença comum no mundo atual

  Dr. Carlos Roberto de Mello Rieder

  Diretor Científico da APARS

texto atualizado em junho de 2018

  A Doença de Parkinson (DP) é uma das doenças neurológicas mais comuns dos dias de hoje. Estima-se uma incidência anual de 100 a 200 casos por cada 100.000 habitantes, atingindo cerca de 01 a 03% da população acima dos 65 anos de idade. Portanto, à medida que a população vai vivendo mais, mais casos irão surgindo. A DP apresenta distribuição universal e alcança todos os grupos étnicos e classes sócio-econômicas.

 

  É uma doença progressiva, e seus principais sintomas são causados por uma diminuição de neurônios que contêm dopamina. A dopamina é um neurotransmissor, substância química que ajuda na transmissão de mensagens entre as células nervosas. Esse neurotransmissor tem um importante papel na realização dos movimentos voluntários do corpo, os que realizamos de forma automática.  Ou seja, graças à presença dessa substância em nossos cérebros, não precisamos pensar em cada movimento que nossos músculos realizam. Quando falta dopamina, particularmente numa pequena região do cérebro chamada substância negra, o controle motor do indivíduo é perdido, ocasionando sinais e sintomas motores característicos, tais como o tremor, a rigidez muscular, a lentidão dos movimentos, etc.

 

  No entanto, as alterações não são restritas à substância negra e nem restritas à dopamina, estando presentes também em outros núcleos cerebrais. A presença de alterações em outras áreas do cérebro é responsável por uma série de sintomas não-motores presentes na DP. Entre esses sintomas, estão as alterações do olfato, os distúrbios do sono, a hipotensão postural (tontura ao se levantar), a constipação (intestino preso), mudanças emocionais, depressão, ansiedade, prejuízos cognitivos e outros.

 

  Felizmente, a DP é uma doença cujo tratamento com medicamentos está associado a um relativo grau de sucesso. Mas, para um adequado tratamento, um diagnóstico correto deve ser feito.

Causas da Doença de Parkinson

  Com o envelhecimento, todos os indivíduos saudáveis apresentam morte progressiva das células nervosas que produzem dopamina. Algumas pessoas, entretanto, perdem essas células (e, consequentemente, diminuem muito mais seus níveis de dopamina) num ritmo muito acelerado. Assim, acabam por manifestar os sintomas da DP. Não se sabe exatamente quais os motivos que causam essa perda progressiva e exagerada de células nervosas (degeneração), muito embora o empenho de estudiosos deste assunto seja muito grande.

  Admitimos que mais de um fator deve estar envolvido no desencadeamento da DP. Esses fatores podem ser genéticos ou ambientais. Embora já sejam conhecidos alguns genes relacionados com a ocorrência da DP, ela não é uma doença hereditária na maior parte das vezes. Entretanto, nas situações em que existe uma ocorrência de diversos casos da DP numa mesma família, um componente genético é provável. Causas genéticas também estão provavelmente envolvidas nas formas de início precoce (abaixo dos 40 anos de idade).

  Na maior parte das situações, não há como definir um risco real para filhos de pacientes com a DP também virem a desenvolver a doença. Isto é, exceto nas formas genéticas, a presença de um doente na família não aumenta de forma importante o risco da doença em outro membro da família. Alguns genes que favorecem o desenvolvimento da doença possivelmente devem agir de forma indireta, juntamente com outros fatores. Entre esses fatores, destacam-se fatores ambientais, como contaminação com agentes tóxicos (agrotóxicos e resíduos químicos, por exemplo).

Sintomas da Doença de Parkinson

  A Doença de Parkinson (DP) costuma instalar-se de forma lenta e progressiva, em geral em torno dos 60 anos de idade, embora 10% dos casos ocorram antes dos 40 anos e até em menores de 21 anos (parkinsonismo juvenil). A DP afeta ambos os sexos e todas as raças. Os sintomas, em geral, aparecem inicialmente só de um lado do corpo, e o paciente normalmente se queixa que "um lado não consegue acompanhar o outro". Os sintomas clássicos da DP são: os tremores; a acinesia ou bradicinesia (lentidão e diminuição dos movimentos voluntários); a rigidez (enrijecimento dos músculos, principalmente no nível das articulações); a instabilidade postural (dificuldades relacionadas ao equilíbrio, com quedas frequentes).

 

  Para o diagnóstico, não é necessário, entretanto, que todos os elementos estejam presentes, e o início pode ser de sintoma isolado e sutil. Esses sintomas pioram de intensidade e, após alguns anos, atingem o outro lado do corpo. O paciente também pode apresentar sintomas de dificuldade para andar (andar com passos pequenos) e alterações da fala (fala baixa e sem melodia).

 

  O tremor é caracteristicamente presente durante o repouso, melhorando quando o paciente move o membro afetado. O tremor não está presente em todos os pacientes com DP, assim como nem todos os indivíduos que apresentam tremor são portadores de tal enfermidade. O paciente percebe que os movimentos com o membro afetado estão mais difíceis, mais vagarosos, atrapalhando nas tarefas habituais, como escrever (a letra torna-se pequena), manusear talheres, abotoar roupas, etc.

 

  A DP não atinge somente a motricidade, os movimentos da pessoa. Como mencionado antes, além da dopamina presente na substância negra, outras áreas cerebrais e outros neurotransmissores são afetados nessa doença. Isso faz com que muitos sintomas não-motores também estejam presentes em pacientes portadores da doença, tais como alterações do olfato (perda ou diminuição da sentir cheiros), distúrbios do sono, hipotensão postural, constipação, mudanças emocionais, depressão, ansiedade, sintomas psicóticos, prejuízos cognitivos

Outras condições podem imitar a doença de Parkinson

  O conjunto de sinais e sintomas neurológicos descritos acima é chamado de Síndrome Parkinsoniana ou Parkinsonismo. Doenças diferentes e causas muito diversas podem produzir essa síndrome. A principal causa dessa síndrome é a própria Doença de Parkinson (DP), em aproximadamente 70% dos casos. Os demais casos relacionam-se a enfermidades ou condições clínicas nas quais os sintomas são semelhantes; porém, outras características estão presentes e a história clínica e evolução vão auxiliar no diagnóstico diferencial.

 

  Portanto, quando um médico faz menção ao Parkinsonismo ou Síndrome Parkinsoniana, ele não estará necessariamente se referindo à Doença de Parkinson (DP). Uma causa importante de Parkinsonismo Secundário é o uso de certos medicamentos (por exemplo, algumas das drogas usadas para vertigens, tonturas e doenças psiquiátricas e alguns remédios para hipertensão). A importância de se identificar esses casos é que os sintomas são potencialmente reversíveis com a interrupção dos medicamentos que os causaram.

O diagnóstico da doença de Parkinson é clínico

    O diagnóstico da Doença de Parkinson é basicamente clínico, baseado na correta valorização dos sinais e sintomas descritos. O profissional mais habilitado para tal interpretação é o médico neurologista, que é capaz de diferenciá-Ios do que ocorre em outras doenças neurológicas que também afetam os movimentos. Os exames complementares, como tomografia cerebral, ressonância magnética etc., servem apenas para avaliação de outros diagnósticos diferenciais.

 

  O exame de tomografia por emissão de pósitrons (PET-Scan) pode ser utilizado como um programa especial para o diagnóstico de Doença de Parkinson, mas é, na maioria das vezes, desnecessário, diante do quadro clínico e evolutivo característico.

Tratamento da Doença de Parkinson

  A DP é tratável e geralmente seus sinais e sintomas respondem de forma satisfatória às medicações existentes. Esses medicamentos, entretanto, são sintomáticos, ou seja, eles repõem parcialmente a dopamina que está faltando e, desse modo, melhoram os sintomas da doença. Devem, portanto, ser usados por toda a vida da pessoa que apresenta tal enfermidade, ou até que surjam tratamentos mais eficazes. Ainda não existem drogas disponíveis comercialmente que possam curar ou evitar de forma efetiva a progressão da degeneração de células nervosas que causam a DP.

 

  Há diversos tipos de medicamentos antiparkinsonianos disponíveis, que devem ser usados em combinações adequadas para cada paciente e fase de evolução da doença, garantindo, assim, melhor qualidade de vida e independência ao enfermo. Também existem técnicas cirúrgicas para atenuar alguns dos sintomas da Doença de Parkinson (DP), que devem ser indicadas caso a caso, quando os medicamentos falharem em controlar tais sintomas. Tratamentos complementares, com fisioterapia e fonoaudiologia são muito recomendados. O objetivo do tratamento, incluindo medicamentos, fisioterapia, fonoaudiologia, suporte psicológico e nutricional, é reduzir o prejuízo funcional decorrente da DP, permitindo que o paciente tenha uma vida independente, com qualidade, por muitos anos.

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